Rurales
Objetivo
Uma
das maiores preocupações é a capacitação dos técnicos no repasse ou aplicação
de conhecimentos ao seu público alvo: o produtor rural.
Nos
cursos técnicos em agropecuária, de agronomia, de zootecnia e de veterinária
que conheço as matérias são quase que exclusivamente técnicas. Acredito que
seja necessário incluir nos currículos sociologia, antropologia, psicologia,
política. Quando o profissional recém formado sai para trabalhar no campo eu
acredito que esta é a área com maior dificuldade: lidar com pessoas, com
projetos pessoais.
Não
devemos esquecer que o extensionista desenvolve um papel político, participa de
um jogo de interesses que precisa ser elucidado. É o que estamos fazendo aqui
nesta discussão, de certo modo. Novas tecnologias para quem? Quais setores
levam vantagem com a adoção de certa tecnologia? A organização de produtores é
bom para quem? O técnico está sendo instrumento de quem? Não é para contestar e
protestar, mas para conhecer onde ele (a) se insere no processo.
Quando
um técnico termina sua jornada de estudos para se inserir no mercado de
trabalho, qual é um dos grandes desafios profissionais, normalmente, encontrado
no exercício de seu ofício? Uma postura
de resistência por parte dos produtores ou mesmo dos funcionários das fazendas
é comumente esperada quando algumas mudanças são propostas. É uma
característica humana não querer sair dessa “zona de conforto”, bastante
tradicional no ambiente de trabalho.
Os
ambientes de aprendizado das universidades, sejam eles de natureza teórica ou
prática, criam e cultivam uma infinidade de cenários e modelos sobre o
funcionamento do mundo, desenvolvendo toda uma bagagem de conhecimentos
técnicos científicos, nos permitindo explorar e extrapolar essas idéias de
acordo com nossos limites de criatividade, estimulando a criação e
desenvolvimento de ciência.
Enquanto
estamos estudando e mesmo depois de formados, seguimos determinadas linhas de
pensamento ou linhas de trabalho que estão mais coerentes com nossa forma de
enxergar cada assunto do nosso dia a dia. Com isso, muitas vezes não nos
atentamos para a forma como essas linhas de pensamento podem estar nos
limitando e condicionando nossas percepções pessoais e profissionais.
O
comentário é, muitas vezes, o seguinte: “Eu acredito na linha de pesquisa do
Professor Fulano”, “Eu trabalho numa linha de pensamento que preconiza uma
criação de bezerros ‘X’”, e daí por diante.
Isso
pode ser muito interessante, promovendo um aprofundamento em alguns detalhes
que serão úteis para nós e para muitos outros profissionais, porém, é de
extrema importância que estejamos atentos para não sermos radicais e
inflexíveis nas nossas colocações, perante o produtor e/ou perante outras
pessoas, pois a grande riqueza do nosso crescimento humano pessoal e
profissional está em permitirmos a expressão dos mais diversos pontos de vista,
acreditando que cada um pode estar tendo uma visão diferente sobre um determinado
assunto.
O
técnico é introduzido em uma propriedade por diversos caminhos: por chamadas de
urgência, por indicação de outros produtores, por demanda solicitada por outros
técnicos da própria fazenda, entre outras muitas formas. Com base nesta
realidade, podemos imaginar a infinidade de diferenças de pontos de vista sobre
a condução (gestão e tecnologia) da atividade, variando desde o proprietário,
passando pela família deste, seus funcionários e demais técnicos, pessoas que
já passaram por aquela empresa ou propriedade rural (técnicos agrícolas,
veterinários, agrônomos, zootecnistas, etc.). Enfim, quando começamos um
trabalho de assistência técnica em uma propriedade, devemos estar conscientes
de que estaremos entrando muitas vezes, num ambiente que já possui um
determinado histórico, com seus casos de sucesso, fracasso, frustrações,
alegrias, conquistas, e que tudo isso influenciará na receptividade e
predisposição para uma maior ou menor velocidade e profundidade de interação
profissional.
Cabe
ao técnico estar preparado e “carregado” de informações diversas, o que lhe
permitirá assistir bem aquele sistema de produção. Porém, é importante também
estar aberto a ouvir os relatos da fazenda de maneira imparcial e desprovida de
defesas. Esta postura, muitas vezes, impede ao próprio técnico enxergar os
caminhos a serem seguidos dentro daquele sistema em questão, visto a existência
de informações que podem ser de grande importância e que só serão
disponibilizadas no momento em que um clima de confiança e abertura estiver
estabelecido entre as partes.
Aos
produtores que irão receber a assistência técnica cabe também estarem
preparados para verificar as referências profissionais dos técnicos antes de
contratá-lo e, tratando-o com o devido respeito, criar um ambiente fértil para
que as considerações feitas pelo técnico sejam apreciadas, debatidas,
justificadas e postas em prática à medida que for possível dentro de um
planejamento conjunto.
Soluções
básicas e, até certo ponto, simples, passam pelo caminho de uma reformulação na
nossa forma de pensar e enxergar como técnicos e nossa forma de pensar e agir
também como produtores rurais.
No
curso RURALES, a metodologia deste evento é justamente a auxiliar os técnicos
no planejamento e na execução das ações no âmbito rural utilizando metodologia
apropriada para a condução de adultos, sendo, portanto mais uma ferramenta e
uma importante fonte de consulta.
Você,
técnico, e você, produtor, pensem nisso, pois talvez o seu sucesso possa
depender de suas habilidades em passar por essa fase do processo de crescimento
e amadurecimento de seu empreendimento.
Conteúdo Programático
1 -
O cenário Rural
2 -
Produtores x extensionista
3 -
Fundamentos educacionais no meio rural
4 -
Aprendizagem e propostas das técnicas a serem aplicadas no campo
5 -
Planejamentos das ações a serem aplicadas
6 -
Técnicas Instrucionais
7 -
Recursos Instrucionais
8 -
Avaliações da aprendizagem
9 -
Administrações da carga-horária
10 -
Situações e conflitos
11 -
Conduções de grupos de produtores rurais
12 -
Cidadania
13 -
Considerações Finais
Público Alvo: Profissionais recém-formados que
pretendem atuar com grupo de produtores ou estar cursando faculdade de Medicina
Veterinária, Zootecnia, Biologia, Agronomia, Engenharia Florestal, Cursos
Agropecuários, Técnicos Agrícolas, Extensionistas, Instrutores e professores, e
demais que desempenhem funções de coordenação de pessoas em ambiente rural
Carga Horária: 08 horas
Investimento: R$ 80,00
Numero de Participantes: 15 a 20 pessoas
Materiais Inclusos: Material Didático e Certificado
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